Olá pessoal, tudo bem com vocês?
No último post nós abordamos um pouco sobre Sistema Imunológico e as Células que o compõe. Hoje falaremos sobre a Anatomia desse Sistema e as funções dos tecidos e órgãos que o forma.
Pois bem, os órgãos que vão compor os tecidos linfoides são geradores, que podem ser definidos como órgãos linfoides primários ou centrais.
São neles que primeiro os linfócitos vão expressar os receptores de antígenos e vão atingir o que chamamos de maturidade fenotípica e também funcional, além iniciar e desenvolver as respostas dos linfócitos aos antígenos estranhos, a partir de órgãos periféricos, que são normalmente secundários aos anteriores.
MEDULA ÓSSEA
A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que se localiza internamente aos ossos esponjosos e faz parte dos órgãos linfoides centrais, juntamente com o timo.
A medula é responsável pela formação e desenvolvimento de algumas células sanguíneas, como as plaquetas, e células que possuem papel importante no sistema imunológico como os Linfócitos T, que se formam na medula óssea e migram pala o Timo para que ocorra a sua diferenciação celular neste órgão, e os Linfócitos B, que se forma e diferenciam-se na medula, indo posteriormente para a corrente sanguínea para os linfonóides periféricos (1).
A medula óssea possui as células tronco, Que de acordo com sua origem, as células-tronco são divididas basicamente em dois grupos: células tronco embrionárias (obtidas durante o estágio embrionário de blastocisto) e células- tronco adultas (obtidas de tecidos adultos formados).
Este segundo grupo, pode ainda ser dividido em dois grupos principais: células-tronco hematopoiéticas (CTH) e células-tronco mesenquimais (CTM).
No ultimo post, vimos que estas CTH são aquelas células pluripotentes, que darão origem as linhagens linfoides e mieloides. Toda essa produção de células ocorre na medula óssea.
TIMO
É no timo que vamos encontrar células epiteliais corticais com citoplasmas abundante, estas células liberam um tipo de interleucina, a IL-7 que irá possibilitar a maturação das células T.
Na etapa inicial da maturação, ocorre a proliferação celular dos timócitos na região mais externa do córtex, bem como o rearranjo dos genes do T cells receptor (TCR), além da expressão das moléculas de CD3, TCR, CD4 e CD8 na superfície celular.
E a medida que os timócitos maturam estes migram do córtex para a medula tímica (2).
Podemos definir que o estroma tímico consiste de células epiteliais, macrófagos e células dendríticas derivadas da medula óssea além de fibroblastos e moléculas da matriz extracelular.
A interação dos timócitos com as células do microambiente tímico é fundamental para a proliferação, a diferenciação celular, a expressão de moléculas de superfície, como o CD4 e CD8, e a criação do repertório de receptores de LT (2-4).
Durante todo o processo de desenvolvimento dos timócitos, cerca de 95% deles morre por um processo natural de apoptose. Tal fato acontece devido a alguns fatores, mas de forma principal, devido aos arranjos mal sucedidos das cadeias de TCR e aos processos de seleção positiva e negativa, o que leva a somente 3% a 5% de timócitos que se tornarão Linfócitos T maduros (4).

Imagem e localização do Timo.
SISTEMA LINFÁTICO
O Sistema Linfático de modo estrutural, assemelha-se ao sistema cardiovascular, uma vez que o mesmo possui vasos que são responsáveis por atuar na remoção de fluidos que se encontram em excesso nos tecidos, bem como absorver ácidos graxos e garantir o transporte para o sistema circulatório (5).
O Sistema Linfático vai ter origem no mesoderma, que se trata de um folheto germinativo do qual derivam diversos tecidos, como o muscular, conjuntivo e vascular.
Como dito outrora, e de importante fixação, apesar de trabalhar de forma consonante ao sistema cardiovascular, a função primordial do sistema linfático é a remoção de líquidos dos espaços intersticiais, sua reciclagem através da retirada de proteínas e ácidos graxos e sua devolução a corrente sanguínea.
Tais líquidos, uma vez dentro dos capilares linfáticos são chamados de Linfa, que é um líquido viscoso e transparente com composição semelhante à do plasma sanguíneo, mas com uma baixa concentração de proteínas.
Nele, ainda há uma grande concentração de leucócitos, em sua maioria linfócitos, já que o próprio Sistema Linfático participa diretamente na resposta imunológica do organismo (6).

À Esquerda: Interação do Sistema Linfático com o Sistema Cardiovascular, bem como à direita: Estrutura do Sistema Linfático e Espaço Intersticial.
LINFONODOS
Em resumo, anatomicamente, o sistema linfático é uma rede de órgãos linfoides, linfonodos, ductos linfáticos, tecidos linfáticos, capilares linfáticos e vasos linfáticos.

Estrutura do Sistema Linfático com ênfase ampliada do Linfonodo.
Como vimos no resumo da semana passada, as células dendríticas (DCs) são especializadas na captura e apresentação de antígenos para os linfócitos, e por sua vez, são consideradas uma ponte entre a imunidade inata e a adaptativa, justamente por serem atraídas e ativadas por elementos da resposta inata e viabilizarem a sensibilização de Linfócitos T da resposta imune adaptativa.
Essas, residem em tecidos periféricos, como pele, fígado e intestino, onde capturam antígenos e se tornam ativadas. Após isso, tais células serão direcionadas e migrarão diretamente para os linfonodos regionais, que são responsáveis por processar e apresentar antígenos proteicos ou lipídicos aos LTs (5, 7).
Sabe-se que DCs imaturas são altamente eficientes na captura de antígenos, enquanto as maduras são muito eficientes na apresentação.Os antígenos capturados são processados dentro da célula e apresentados em sua superfície, inseridos em moléculas do MHC. Em geral, antígenos proteicos são apresentados por moléculas MHCs clássicas, de classes I e II (5, 7)

Estrutura Anatômica do Linfonodo.
BAÇO
Quando se pensa em baço e sistema imunológico, percebemos que a participação do mesmo nesse sistema é bem conhecida. O baço é o principal responsável pela fagocitose e pela depuração de partículas, bactérias, vírus, fungos e parasitas da corrente sanguínea (8).
O baço encontra-se situado atrás do estômago e filtra o sangue da mesma forma como os nódulos linfáticos filtram a linfa e coletam antígenos, assim como também captura e se desfaz de células vermelhas senescentes.
A massa principal deste órgão é composta pela polpa vermelha e os linfócitos circundam as arteríolas que o penetram, formando ·áreas da polpa branca, cuja região mais interna é dividida em uma camada linfoide periarteriolar, contendo principalmente células T e revestidas por uma coroa de células B (8).

O Baço: Localização e Vascularização.
Sistemas imunológicos regionais
Quando a gente fala em barreiras epiteliais presentes em nosso corpo, sejam essas a pele, sejam essas as mucosas encontradas, podemos observar que as mesmas têm seus próprios sistemas de linfonodos, ou seja, estruturas linfoides não encapsuladas e células imunes difusamente distribuídas, que vão trabalhar de maneira coordenada para fornecer respostas imunes especializadas contra os patógenos que entram por aquelas barreiras.
O sistema imune associado à pele evoluiu para responder a uma grande variedade de microrganismos ambientais. Os componentes dos sistemas imunes relacionados com as mucosas gastrintestinal e brônquica são denominados tecido linfoide associado a mucosa e estão envolvidos nas respostas imunes aos antígenos e microrganismos ingeridos e inalados.
A pele e o tecido linfoide associado a mucosa contêm uma grande proporção de células dos sistemas imunes inato e adaptativo (8).
Conclusão
No texto de hoje aprendemos um pouco mais sobre o sistema imune, demos um enfoque aos órgãos que estão associados a esse sistema. E é incrível perceber a distribuição desses órgãos, tecidos e células de forma a nos proteger como um todo, garantindo nosso bem estar, né?
Fique de olho nos próximos assuntos sobre imunologia e deixem seus comentários ou duvidas.
Até a próxima pessoal!
REFERÊNCIAS
1. MUSSI-PINHATA, M.M.; REGO, M.A.C. Particularidades imunológicas do pré-termo extremo: um desafio para a prevenção da sepse hospitalar. J. Pediatr. v.81, n.1. 2005.
2. ALPDOGAN, O.; van DEN BRINK,M.R. IL-7 and IL-15: therapeutic cytokines
3. ANDERSEN, G. et al. Cellular interactions in thymocyte development. Annual Review of Immunology. v.14, p.73-99.1996.
4. SOUZA, A.W.S. et al. Sistema imunitário – parte III. O delicado equilíbrio do sistema imunológico entre os pólos de tolerância e autoimunidade. Rev. Bras. Reumatol. v.50, n.6. 2010.
5. MARQUES, T.M.L.S.; SILVA, A.G. Anatomy and physiology of the lymphatic system: edema formation process and lymphatic drainage technique. Scire Salutis. v.10, n.1. 2020.
6. BACELAR, R. O.; PEREIRA, V. H.. Revisão de literatura da fisiopatologia da popularmente conhecida celulite: uma reflexão sobre o método Godoy e Godoy como possibilidade de tratamento. Rio de Janeiro, 2017.
7. CRUVINEL, W. M. et al. Sistema Imunitário – Parte I: Fundamentos da imunidade inata com ênfase nos mecanismos moleculares e celulares da resposta inflamatória. Revista Brasileira de Reumatologia. v.50, n.4, p.434-61, 2010.
8. ABBAS, A. K et al. Imunologia Celular e Molecular. Elsevier, 8ª ed. 2015
