Olá pessoal, tudo bem com vocês??
Gostaram de aprender um pouco mais sobre os adjuvantes vacinais? Que tal hoje falarmos um pouco sobre os adjuvantes comuns em vacinas veterinárias ou em vacinas ainda em fase pré-clínica e clínica, mas que ainda não foram aprovados para uso em vacinas comerciais?

Vamos conosco?
Os adjuvantes não aprovados para uso em humanos
Por conta da deficiência de alguns adjuvantes já utilizados, como o de hidróxido de alumínio, existem estudos para o desenvolvimento de novos adjuvantes vacinais, seja no intuito de potencializar os efeitos dos já existentes e descritos no post anterior ou, até mesmo de substituí-los. Isso se dá devido a procura constante em obter maior sinergismo entre o imunógeno e o adjuvante vacinal garantindo consequentemente menos efeitos adversos [1].
Montanide™
O Montanide™ é um produto da empresa Seppic a qual desenvolve adjuvantes vacinais tanto para saúde humana quanto veterinária. O Montanide é uma linha de adjuvantes baseados em adjuvantes oleosos e poliméricos, os oleosos podem ser emulsões óleo em água, água em óleo ou água múltipla em óleo em água.

Sua composição consiste em uma fase oleosa e surfactantes, onde a fase oleosa pode conter um óleo de origem mineral, vegetal ou sintética, ou até a combinação destes; já o surfactante é selecionado para cada adjuvante a ser desenvolvido, fornecendo um equilíbrio hidrofílico-lipofílico, são biodegradáveis e tem sido muito associado em ensaios para vacinas contra malária, HIV e câncer.

O diferencial da empresa é que o óleo e o surfactante podem ser precisamente selecionados e caracterizados no intuito de garantir a estabilidade da emulsão, bem como a estabilidade, eficácia e segurança das vacinas formuladas com esses adjuvantes. Esse adjuvante apresenta alta capacidade de indução da resposta imunológica [1].

Saponinas (Quil-A, ISCOM e QS-21)
As saponinas são compostos purificados do extrato de Quillaja saponaria arvore da América do Sul. As saponinas são da classe dos terpenos, sendo glicosídeos triterpênicos. Os adjuvantes podem ser o extrato aquoso da casca da árvore, uma fração purificada ou semi-purificada.

A saponina purificada é denominada de Quil-A, apesar de considerada um potente adjuvante, inclusive compondo vacinas veterinárias como leucemia felina e febre aftosa apresenta muitas reações locais e hemólise.
O mecanismo de ação desse adjuvante é dependente dos seus oligossacarídeos, que podem direcionar a resposta para Th1 ou Th2. O adjuvante a base de saponina mais comum é o QS21 e esse adjuvante direciona para uma resposta Th1, através da estimulação de citocinas (IL-2 e INF-γ) e não apresenta atividade hemolítica.

Outro adjuvante a base de saponina que vem sendo utilizado são os ISCOMs, estes são complexos imunoestimulantes formados por Quil A, colesterol e fosfolipídeos. Os ISCOMs são capazes de induzir forte reposta Th1 e Th2, apresentam boa liberação e apresentação do antígeno.

As saponinas apresentam uma progressão nos ensaios clínicos utilizando o QS-21, sozinho ou combinado com outros imunoestimulantes para atuação em vacinas contra infecções como a influenza, HSV, HIV, HBV, malária e também cânceres, como linfomas [1].
Dipeptídeo muramil (MDP)
É uma unidade mínima da parede celular micobacteriana, compõe o adjuvante completo de Freund (CFA). Apresenta um potencial como adjuvante, entretanto, demonstram muitos efeitos colaterais.
Um análogo sintético do MDP foi desenvolvido, o tripeptídeo muramilfosfatidiletanolamina (MTP-PtdEtn), que auxilia na melhora entre as interações lipídicas, com isso, possui capacidade emulsificante, podendo ser utilizado em emulsões óleo-em-água estáveis. Entretanto o MTP-PtdEtn tem baixa estabilidade [1].

Adjuvantes de Freund
É o padrão ouro na produção em ensaios pré-clínico e clínico. Existe o Adjuvante Completo de Freund (CFA) e o Adjuvante Incompleto de Freund (IFA). O CFA é constituído por Mycobacterium tuberculosis inativada (por calor) e por mono-oleatos de manose em óleo de parafina. Tem a capacidade de provoca uma resposta inflamatória Th-1 e, muitas vezes, culmina em uma formação de granuloma no local da aplicação [2]. Em ensaios o CFA é aplicado como primeira dose.

O IFA, por sua vez, não possui micobactéria em sua composição [2], é composto por óleo de parafina contendo mono-oleato de manida como um surfactante, forma uma emulsão quando associados a soluções aquosas ou suspensões antigênicas [3]. Geralmente é utilizado para imunização subsequente, visto que ele estimula uma resposta Th2 [2].
A resposta inflamatória intensa e localizada causada pelos adjuvantes de Freund possui capacidade de formar granulomas e, com isso, vem sendo associada a problemas como: formação de granuloma hepático e renal, dermatite necrosante, compressão da medula espinal por formação de granuloma local, entre outros. Essas inflamações, necrose e dores causadas, limita o seu uso apenas para fins experimentais [2].
Conclusões
Ao se conhecer os adjuvantes e a sua atuação, é possível perceber a sua importância. Compreender as limitações dos modelos pré-clínicos e até clínicos ajuda a evitar riscos, fornecendo dados que comprovem sua segurança e eficácia.
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Até a próxima.
Referências
[1] REED, Steven G.; TOMAI, Mark; GALE JR, Michael J. New horizons in adjuvants for vaccine development. Current Opinion in Immunology, v. 65, p. 97-101, 2020.
[2] LAKHAN, Nerissa et al. CoVaccine HT™ adjuvant is superior to Freund’s adjuvants in eliciting antibodies against the endogenous alarmin HMGB1. Journal of immunological methods, v. 439, p. 37-43, 2016.
[3] BILLIAU, Alfons; MATTHYS, Patrick. Modes of action of Freund’s adjuvants in experimental models of autoimmune diseases. Journal of leukocyte biology, v. 70, n. 6, p. 849-860, 2001.
