Olá pessoal, tudo bem com vocês??
Hoje iremos abordar um tema de suma importância e que muitas vezes é menosprezado. Mas vamos conosco aprender uma pouco mais sobre biossegurança??
Começaremos pela história, como surgiu a biossegurança?
As doenças infecciosas têm gerado preocupação global nos últimos anos. Vários fatores como a urbanização, combinações de locais nos sistemas de saúde, crescem as possibilidades do surgimento de doenças infecciosas [4].
E durante muito tempo, mudanças da situação da segurança, riscos e desafios dessas enfermidades representou uma forte ameaça, principalmente aos trabalhadores [2,3].
Por isso, veio o termo e a relevância da biossegurança, onde tudo começou a ser construído no início da década de 1970. Nessa década os pesquisadores falavam sobre os impactos da engenharia genética na sociedade, destacando-se neste contexto o uso da insulina recombinante, que utilizou o sistema heterólogo da bactéria Escherichia coli. Diante do surgimento da primeira proteína recombinante surgiu a Conferência de Asilomar, na Califórnia em 1974 [3].
Esta reunião foi um marco na história, pois foi a primeira vez que houve discussões sobre os aspectos de proteção aos pesquisadores e demais profissionais. E ainda na década de 1970 a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconizou as práticas preventivas no manuseio de agentes patogênicos, isto é, voltada para a saúde desse trabalhador frente aos riscos biológicos no ambiente ocupacional [3,8].
A partir disso, o termo biossegurança, ao longo dos anos, vem sofrendo mudanças principalmente na década de 1990. Foi criada a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), para fins de maior compreensão dos devidos cuidados dentro de um laboratório, com suas técnicas e aspectos de controle para assim evitar possíveis acidentes [3].

Visando as profundas mudanças na situação da segurança internacional, o mundo compartilha de maneira mais ampla um destino comum em termos de biossegurança [4].
Biossegurança – O que é?
São medidas estratégicas implantadas para prevenir, controlar e eliminar riscos que podem representar ameaças ao homem, à economia nacional, à saúde pública e ao meio ambiente. Sendo os principais problemas decorrentes da aplicação de biotecnologias, riscos biológicos, patógenos e biomateriais. Portanto, algumas ferramentas comuns são aplicadas para enfrentar esses desafios [1].

Figura 1 Áreas de extensão da biossegurança. Conforme resumido na Figura 1 , a extensão das áreas de pesquisa de biossegurança é ampla, incluindo vários de tópicos nos quais se destacam o controle de doenças infecciosas, monitoramento de riscos de biotecnologia, garantia de segurança biológica laboratorial, proteção de recursos biológicos, prevenção de invasão de espécies exóticas, defesa contra guerra biológica e terrorismo biológico ataques[1].
Vocês sabem identificar os riscos ocupacionais através de cores?
Isso é relevante a todo trabalhador, assim podemos estar cientes aos riscos mais suscetíveis no determinado ambiente de trabalho. Sua classificação é determinada através de cinco grupos:

Figura 2: Autoria própria. Desenho ilustrativo das cores dos riscos.
Grupo 1 – Riscos físicos identificado pela cor verde. Exemplos: ruído, frio, calor, pressões, umidade, radiações ionizantes e não ionizantes, vibração e entre outros[9].
Grupo 2 – Riscos químicos: identificados pela cor vermelha. Exemplos: poeiras, fumos, gases, vapores, névoas, neblinas, substâncias compostas, produtos químicos em geral e entre outros[9].
Grupo 3- Riscos biológicos identificados pela cor marrom: Exemplos: fungos, vírus, parasitas, bactérias, protozoários, insetos transmissores de doenças e entre outros[9].
Grupo 4- Riscos ergonômicos: identificados pela cor amarela. Exemplos: Levantamento e transporte manual de peso, esforço físico excessivo, repetitividade, atenção e vigilância, jornada de trabalho prolongada, trabalho excessivo, postura inadequada de trabalho, situações causadoras de fadiga, estresse e etc[9].
Grupo 5- riscos de acidentes: indicados pela cor azul. Exemplo: iluminação inadequada, armazenamento inadequado de materiais, incêndio, explosão, quedas, animais peçonhentos e entre outros [9].
Níveis de segurança
Diante do exposto, é tamanha a importância em saber devidas informações de uma comunicação em alerta para o indivíduo que está envolvido no trabalho. Sabe-se que os riscos de alerta garantem melhor compreensão da mensagem passada ao indivíduo tornando-se boas práticas de biossegurança. Essa comunicação de sinais de alerta é aceita como um padrão para reduzir esses riscos mundiais [10].
Em consideração ao aumento da gravidade se estabelece um maior nível de biossegurança apropriado. Por isso, é importante a divisão de determinados níveis para que cada qual exija uma geração de alta complexidade fornecendo um grau de segurança necessário adequado no local de trabalho do laboratório [10].
A tabela 1 mostra o resumo dos requisitos da instalação nos quatro níveis de biossegurança [6].
Tabela 1- Relação dos grupos de risco com os níveis, práticas e equipamentos de biossegurança [6].

Vejamos a necessidade de implementar e impor boas práticas de biossegurança, treinar os profissionais com segurança especialmente quando o nível de risco aumenta. A Figura 2 ilustra uma representação de um esquema conceitual da biossegurança e seus quatro níveis com sua intensidade de risco [5].

Figura 2 Imagem representativa de um esquema do conceito de biossegurança e seus quatro níveis de biossegurança com sua intensidade de risco[5].
Nível 2 de Biossegurança (NB-2)
Dentre os níveis de biossegurança focaremos no Nível de biossegurança 2 (NB-2): referente as exigências para as atividades que envolvam os agentes biológicos da classe de risco tipo 2[11].
O acesso ao laboratório desse nível é restrito aos profissionais da área como professores, técnicos e aos acadêmicos que estejam desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão, mediante autorização do responsável técnico [11].
Esse grupo exige instalações, equipamentos, práticas e procedimentos para a condução segura do trabalho [11].
Os agentes biológicos que afetam o homem são distribuídos em classes de risco assim representados na tabela 2.
Tabela 2 – Representação resumida das características das classes de risco (1 a 4) dos agentes biológicos em relação ao risco individual, coletivo e das condições terapêuticas [13].

Classe de risco II: Agentes de Risco Biológico
O papel dos agentes de risco biológico é verificado através do nível de segurança biológica, pois apresentam riscos moderados ao meio ambiente e aos indivíduos do laboratório, que por sua vez podem se acidentar ou serem expostos por contato com a pele, inalação ou ingestão de algum agente. Em virtude disso, temos exemplos microrganismo nos quais são os Staphylococcus aureus, Salmonella e etc [12].
Em relação a diferenciação do nível do laboratório de segurança biológica II para o do laboratório dos níveis de segurança biológica I é o treinamento adicional necessário específico para lidar com esses agentes patogênicos. Esses laboratórios de níveis de segurança II também têm acesso restrito a áreas de trabalho onde os agentes perigosos são manuseados, usados e manipulados. Portanto, todos esses procedimentos em que há aerossóis / respingos infecciosos são realizados em cabines de segurança biológica (BSC) [12].
Boas práticas laboratoriais
Considerando a organização e a qualidade dos laboratórios existem as Boas Práticas de Laboratório (BPL), um processo que se preocupa com a saúde, um ambiente planejado, monitorado, registrado para uma avaliação de riscos. Assim, dessa forma facilitar as condições de qualidade analisando possíveis risco ao ser humano e o ambiente [14].
Os padrões nos laboratórios de microbiologia devem ser conhecidos e aplicados pelo indivíduo que frequenta o espaço laboratorial e compreende em:
- Restringir o acesso de pessoas ao laboratório, somente os indivíduos autorizados pelos coordenadores e professores podem ingressar nos ambientes laboratoriais;
- Observar os princípios básicos de higiene, entre eles: manter as mãos limpas e unhas aparadas; sempre lavar as mãos antes e após vários procedimentos;
- Proibir: a ingestão e/ou o preparo de alimentos e bebidas, fumar, mascar chicletes, manipular lentes de contato, a utilização de cosméticos e perfumes;
- Pipetar com a boca é expressamente proibido e jamais se deve colocar na boca objetos de uso no laboratório;
- Utilizar calçados de proteção: fechados, confortáveis, com solado liso e antiderrapante;
- Usar as luvas de procedimentos somente nas atividades laboratoriais e evitar tocar em objetos de uso comum;
- Utilizar trajes de proteção durante as atividades laboratoriais, como: jalecos, aventais, macacões, etc.
- Evitar o uso de qualquer tipo de acessórios/adornos durante as atividades laboratoriais;
- Organizar os procedimentos operacionais padrões (POP) para o manuseio dos equipamentos e técnicas empregados nos laboratórios;
- Garantir que a limpeza dos laboratórios seja realizada regularmente antes e imediatamente após o término das atividades laboratoriais.
- Assegurar que os resíduos biológicos sejam descontaminados antes de ser descartados;
- Manusear, transportar e armazenar materiais (biológicos, químicos e vidrarias) de forma segura para evitar qualquer tipo de acidente.
- Usar os EPIs adequados durante o manuseio de produtos químicos;
- Identificar adequadamente todos os produtos químicos e frascos com soluções e reagentes, os quais devem conter a indicação do produto, condições de armazenamento, prazo de validade, toxidade do produto e outros;
- Acondicionar os resíduos biológicos e químicos em recipientes adequados, em condições seguras e encaminhá-los ao serviço de descartes de resíduos dos laboratórios para receberem o seu destino final;
- Afixar a sinalização adequada nos laboratórios, entre elas, incluir o símbolo internacional de “Risco Biológico” na entrada dos laboratórios a partir do NB-2;
- Instituir um programa de controle de roedores e vetores nos laboratórios;
- Evitar trabalhar sozinho no laboratório e jornadas de trabalho prolongadas;
- Providenciar treinamento e supervisão aos iniciantes nos laboratórios;
- Disponibilizar kits de primeiros socorros e promover a capacitação dos usuários em segurança e emergência nos laboratórios [11].
Limpeza e desinfecção
Dentro do processo de limpeza e desinfecção utiliza-se um equipamento chamado autoclave, que faz a descontaminação, desinfecção e esterilização de resíduos sólidos e líquidos [15]. Por outro lado, o álcool à 70% e a solução de hipoclorito de sódio, preferencialmente, a 10%, limpa superfícies consideradas altamente eficazes na remoção / inativação de patógenos em ambiente [11,16].

Conclusão
Portanto, pode-se concluir que a biossegurança evita riscos em aspectos gerais que são apresentados no cotidiano como acidentes laboratoriais desde já incluindo a necessidade da detecção e desinfecção de patógenos, vacinas virais, equipamentos de proteção individual e preservação de espécies biológicas com o propósito de manter a segurança.

Figura 3 Necessidades de biossegurança e suas devidas áreas de atuação correspondentes [5].
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