Olá pessoal, tudo bem com vocês??
Estamos voltando com nossas postagens e espero que vocês aproveitem bastante todo nosso conteúdo nesse ano de 2021.
O ano de 2020 abordamos diversos temas com os quais trabalhamos e esse ano seguiremos a mesma lógica. Diante disso, não tem como não iniciarmos com um sistema muito importante e que vem sendo amplamente debatido nesse tempo de pandemia, o sistema imunológico.

Hoje abordaremos os pontos chaves sobre o sistema imunológico que irá nos direcionar e fornecer uma base para uma melhor compreensão nos próximos textos.
Espero que vocês se apaixonem pela imunologia assim como somos apaixonados!!
Vamos lá?
O Sistema Imunológico, assim como os demais sistemas do corpo humano, é formado por um conjunto de órgãos, células e moléculas. Este, tem como principal ação, manter o equilíbrio do organismo humano, buscando combater quaisquer tipos de agressões.
A partir disso, podemos entender que função imunológica é dividida em dois conceitos díspares: Imunidade Inata e Imunidade Adaptativa.
Quando se fala em imunidade inata, é aquela que nasce com a gente e podemos dizer que a mesma representa uma resposta rápida e inespecífica, reconhecendo um grande número de moléculas, porém com estímulos limitados.
Esta é representada por barreiras físicas, químicas e biológicas, bem como por células especializadas e moléculas solúveis, cujo qual são presentes em todos os indivíduos (o termo: nasce com), mesmo que esses não tenha experimentado um contato anterior com imunógenos ou com agentes agressores, assim como não se altera de nem de modo qualitativo, nem de modo quantitativo após esse contato (1).
Já a imunidade adaptativa é altamente especifica e possui memoria imunológica, ou seja, tem a capacidade de lembrar de processos infecciosos anteriores, já possuindo seus mediadores de defesa prontamente.
No entanto, esse tipo de resposta duradoura apresenta uma demora em sua ativação, sendo necessária a ativação da resposta inata para que esta ative a resposta adaptativa.

Mas antes de aprendermos sobre a imunidade inata e adaptativa mais profundamente, vamos falar sobre as células e órgãos que compõe o sistema imune?
Células e diferenciação
As principais células do sistema imunológico são formadas na medula óssea e as linhagens progenitoras são as mieloide e linfoide, provenientes das células tronco pluripotentes ou célula-tronco hematopoiética ou HSC (hematopoietic stem cell).

A linhagem mieloide dará origem aos granulócitos como: neutrófilos, basófilos, eosinófilos e mastócitos. O desenvolvimento dos granulócitos chama-se granulocitopoese e a célula precursora é o pró-mielócito o qual contém um núcleo grande e esférico assim como um citoplasma com grânulos azurófilos.
Esse pró-mielócito dará origem aos mielócitos, onde a partir daí as linhagens de basófilos, neutrófilos e eosinófilos serão distinguidas pelos seus grânulos específicos no citoplasma.
Durante uma das etapas, há aumento na quantidade desses grânulos específicos, assim como transformações nucleares acontecem para formar o núcleo bilobado, seguindo para forma de bastonete e à medida que a maturação segue este bastonete é segmentado para formar três a quatro lóbulos de núcleo na célula madura. Dando a característica morfológica para cada uma dessas células.
Os mastócitos por sua vez migram para um tecido específico, onde sofrerá sua maturação plena, adquirindo grande quantidade de grânulos no seu interior e assumindo sua morfologia definitiva.
Os monócitos por sua vez as células percussoras mieloides, darão origem aos monoblastos, que se transformarão em pró-monócitos, e posteriormente em monócitos que irão permanecer pouco tempo no sangue periférico, migrando para os tecidos dando origem aos macrófagos, porém dependendo do tipo de tecido essas células podem apresentar nomenclaturas distintas, como: micróglia no sistema nervoso, células de Kupfer no fígado e células de Langerhans na epiderme.
Já as células dendríticas provenientes da linhagem mieloide sofrem maturaçao em células dendríticas através de uma citocina denominada ligante Flt3, está ligada ao receptor tirosinoquinase Flt3 nas células precursoras.
Essas células estão distribuídas nos tecidos linfoides, epitélio mucoso e parênquima de órgãos. A maioria as células dendríticas nesses locais são chamadas de células dendríticas clássicas ou convencionais, responde aos microrganismos migrando para linfonodos, lá apresentam antígenos proteicos microbianos aos linfócitos T.
Há também uma outra subpopulação dessas células que são denominadas de células dendríticas plasmocitoides, essas tem respostas celulares precoces à infecção viral através do reconhecimento de ácidos nucleicos de vírus, o que leva a produção de proteínas solúveis chamadas de interferons tipo I, o interferon tem potente atividade antiviral.
Um tipo celular mais especializado é a célula dendrítica folicular. Essas células, originadas também da medula óssea, tem projeções membranosas encontradas em coleções de células B ativadas nos folículos linfoides de linfonodos, baço e tecidos linfoides mucosos. Diferente das células dendríticas, essas células foliculares apresentam antígenos proteicos em sua superfície reconhecidos pelos linfócitos B.
As células progenitoras linfóides, ademais, são as responsáveis por dar origem aos linfócitos T, B e células NK que vimos anteriormente. É importante atentar-se que as células que se diferenciarão em linfócitos T (LT) migram para o timo, logo após a sua saída da medula óssea; é a partir disso que se originará o processo de seleção e maturação.
Uma vez madura, apenas os linfócitos T deixarão o timo e se encaminham para a circulação e para os órgãos linfoides secundários; enquanto as demais células que se diferenciam em linfócitos B (LB) permanecem na medula óssea, e quando maduras, deixam a medula para entrar na circulação, sendo direcionada para os órgãos que chamamos de órgãos linfóides secundários (1, 2).
Fagócitos
Os fagócitos têm como sua principal função a eliminação de tecidos danificados e destruição de microrganismos, ou seja, ele garante a proteção do organismo contra infecções. Os fagócitos incluem neutrófilos e macrófagos.
Mas surge uma pergunta, como ocorre essa ação dos fagócitos em defesa ao hospedeiro?
Na presença do microrganismo essas células são ativadas, pois reconhecem o agente invasor, deste modo fagocita o microrganismo e o destrói. Os fagócitos também são capazes de se comunicar com outras células que contribui na promoção e regulação das respostas imunes do organismo.
Neutrófilos
Os neutrófilos têm um papel importante nas fases precoces das reações inflamatórias, além disso, são sensíveis a agentes quimiotáticos, como por exemplo os produtos de clivagem de frações do complemento (C3a e C5a) e substâncias liberadas por mastócitos e basófilos.
Dentre as primeiras células a saírem em direção aos tecidos atraídos por quimiocinas, a partir dos vasos, estão os neutrófilos. Sabe-se também que são ativados por diversos estímulos, nos quais podemos observar os produtos bacterianos, proteínas do complemento, imunocomplexos, quimiocinas e citocinas (3).
Os neutrófilos são produzidos diariamente pelo organismo e ficam circulante no organismo, mas seu tempo de vida é limitado a no máximo 2 dias, estando em constante renovação.
Ao identificar a infecção, os neutrófilos migram rapidamente para os locais de infecção exercendo sua função e gerando a resposta inflamatória.
Monócitos e Macrófagos
Essas células possuem uma ampla gama de funções, o que justifica seu destaque na imunidade inata e adaptativa, entre elas: fagocitar e matar microrganismos;
fagocitar células mortas do hospedeiro, realizando uma limpeza;
secretam citocinas que irão atuar nas células endoteliais para aumentar o recrutamento de mais monócitos e outros leucócitos do sangue para os locais de infecção, ampliando sua resposta protetora;
Também atuam como APCs ativando linfócitos T efetores;
Quando mediados por citocinas secretadas por outros macrófagos, promovem reparo tecidual de tecidos danificados promovendo a angiogênese, assim como a síntese da matriz extracelular rica em colágeno (fibrose).
Granulócitos

Morfologia dos neutrófilos, macrófagos, basófilos e eosinófilos. A: Uma micrografia de luz de neutrófilos sanguíneos corados com Wright-Giemsa mostra os núcleos multilobados, motivo pelo qual essas células também são denominadas leucócitos polimorfonucleares, e os grânulos citoplasmáticos fracos. B: Uma microscopia de luz de uma seção de pele corada com Wright-Giemsa mostra um mastócito (seta) adjacente a um pequeno vaso sanguíneo, identificável pela hemácia na luz. Os grânulos citoplasmáticos no mastócito, que são corados de roxo, são cheios de histamina e outros mediadores que agem nos vasos sanguíneos adjacentes para promover o aumento no fluxo sanguíneo e a distribuição de proteínas plasmáticas e leucócitos para os tecidos. (Cortesia de Dr. George Murphy, Department of Pathology, Brigham and Womens’s Hospital, Boston, Massachusetts.) C: Uma micrografia de luz de um basófilo sanguíneo corado com Wright-Giemsa mostra os característicos grânulos citoplasmáticos corados de azul. (Cortesia de Dr. Jonathan Hecht, Department of Pathology, Brigham and Women’s Hospital, Boston, Massachusetts.) D: Uma micrografia de luz de um eosinófilo sanguíneo corado com Wright-Giemsa mostra os característicos núcleos segmentados e grânulos citoplasmáticos corados de vermelho (3).
Neutrófilos
Isso mesmo, os neutrófilos além de serem fagócitos possuem grânulos que os tornam uma das células de defesa mais potentes. Essas células sofrem um processo de degranulação, processo pelo qual quando ativadas liberam os compostos químicos presentes no interior desses grânulos.
Nesse processo, podemos observar a liberação de três classes de grânulos que são liberados no meio extracelular. São eles os grânulos primários, também chamados de azurófilos, os grânulos secundários e os grânulos terciários (4).
Os grânulos primários vão apresentar mediadores importantes como mieloperoxidase, defensinas, elastase neutrofílica, proteína de aumento da permeabilidade bacteriana e catepsina G;
os grânulos secundários, por outro lado, apresentam componentes secretados especificamente por neutrófilos, como por exemplo lactoferrina;
por fim, tem os grânulos terciários, no qual as catepsinas e gelatinases são as principais proteínas (4).
Mastócitos
Os mastócitos por sua vez contêm grânulos citoplasmáticos cheios de histamina, heparina (ação anticoagulante), condroitim, sulfatos e outros glicosaminiglicanos.
Em geral os mastócitos se apresentam presentes nos tecidos em sua forma madura e expressão receptores de alta afinidade na membrana plasmática para um tipo de anticorpo IgE (importante para processos alérgicos e infecções por helmintos), geralmente sendo encoberto por esses anticorpos.
Ao ter esses anticorpos ligando-se aos antígenos, ocorrem eventos de sinalização que levam a degranulação para dentro do espaço extravascular, essa liberação promove mudanças nos vasos sanguíneos que levam a inflamação.
Assim, em sua função essas células são capazes de fornecer defesa microrganismos, já que reconhecem produtos microbianos e respondem com citocinas e outros mediadores que induzem inflamação, além de serem os responsáveis pelas respostas alérgicas ao ligarem-se aos antígenos.
Basófilos
Apesar de presentes, essas células apresentam-se em menor número nos tecidos, tendo uma importância na defesa do hospedeiro e ação nas reações alérgicas e helmintoses, já que também expressam receptores para IgE que se ligam a antígenos, considerada incerta.
Em seu grânulos contem substancias como: histamina, fatores quimiotáticos para eosinófilos e neutrófilos e heparina.
Eosinófilos
Os eosinófilos normalmente estão presentes nos tecidos periféricos, principalmente na cobertura de mucosas dos tratos respiratório, gastrintestinal e geniturinário, e seus números podem aumentar na ocorrência de uma inflamação.
Seus grânulos são ricos em: histamina e proteínas como a peroxidase de eosinófilos, ribonuclease (RNase), desoxirribonucleases, lipase, plasminogênio, e a proteína básica maior.Também possuem receptores para IgE. Possui ação similar aos mastócitos e basófilos.
Células Apresentadoras de Antígenos – APCs
As APCs são células que capturam microrganismos e antígenos e os apresentam aos linfócitos, a partir disso fornecem sinais que irão estimular a proliferação e diferenciação dos linfócitos T.
Em relação ao processo de diferenciação celular, ou seja, a ativação de linfócitos virgens a única capaz de interagir com esse tipo celular são as células dendríticas. Após a ativação dos linfócitos T virgem e sua diferenciação em celular T CD4+ e TCD8+.
Quando diferenciadas em linfócitos TCD4+ tanto as células dendríticas, quanto macrófagos e linfócitos B podem apresentar antígenos a ativar as respostas imunológicas, neste contexto os macrófagos e linfócitos B também atuam como APCs, isso se dá porque apenas essas células tem a capacidade de sintetizar moléculas de histocompatibilidade de classe II (MHC II).
Quando diferenciadas em linfócitos TCD8+ todas as células podem ativar, visto que todas as células são capazes de sintetizar as moléculas de histocompatibilidade de classe I (MHC I).
Linfócitos
Essas são as únicas células da unidade adaptativa, também são as únicas no corpo que expressam receptores antigênicos clonalmente distribuídos, ou seja, cada clone de linfócitos T e B expressa receptores antigênicos com uma especificidade única para cada determinante antigênico.
Os linfócitos em um indivíduo adulto estão contidos 2% no sangue, 4% na pele, 10% na medula óssea, 15% nos tecidos linfoides das mucosas dos tratos gastrointestinal e respiratório e 65% nos órgãos linfoides, em destaque o baço e linfonodos.
Se diferenciam em duas classes, linfócitos B e T.
Linfócitos B
Células produtoras de anticorpos com sua maturação realizada na medula óssea. Entre seus subtipos estão as células B foliculares, células B da zona marginal e células B-1. Assim que os linfócitos B virgem são ativados uma cascata de reações os transformam em plasmócitos, células grandes com alta produção de anticorpos.
Linfócitos T
São mediadores da imunidade celular e surgem a partir de células precursoras na medula óssea que migram para amadurecer no timo, ou seja, essas células são derivadas do timo. Entre seus subtipos estão: linfócitos T CD4+ auxiliares, linfócitos TCD8+ citotóxicos, linfócitos TCD4+ reguladoras, linfócitos T ƴδ e células NKT.
Células Natural Killer
As células NK circulam no sangue e estão presentes em vários dos tecidos linfoides, elas são um dos vários subgrupos das células linfoides inatas tipo I.
O termo Natural Killer deriva de sua principal função ser a morte das células infectadas. Essas células constituem de 5¨% a 15% das células mononucleares no sangue e baço, sendo raras em outros órgãos linfoides, porém abundantes em órgãos como fígado e útero gravídico.
As NK utilizam receptores que codificam DNA para distinguir células infectadas com patógenos das células saudáveis para fazer sua eliminação seletiva.

Conclusão
O sistema imunológico é um dos principais sistema do nosso corpo, sendo responsável pela defesa contra potenciais invasores. No texto de hoje vimos que o sistema imune possui duas frentes de defesa, a imunidade inata e adaptativa e conhecemos as suas células de defesa. Células estas que promovem toda uma cascata de reações que irão conferir proteção e eliminação de patógenos.
Nos próximos textos iremos conferir sobre os órgãos e as especificidades de cada resposta imunológica.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- CRUVINEL, W. M. et al. Sistema Imunitário – Parte I: Fundamentos da imunidade inata com ênfase nos mecanismos moleculares e celulares da resposta inflamatória. Revista Brasileira de Reumatologia. v.50, n.4, p.434-61, 2010.
2. JÚNIOR, D. M. et al. Sistema Imunitário – Parte II. Fundamentos da resposta imunológica mediada por linfócitos T e B. Revista Brasileira de Reumatologia. v.50, n.5, p.552-80, 2010.
3. ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda, 2015. 552 p.
4. LAURENCE, A.; CHOWDARY, P. ANCLIFF, P. Disorders of granulopoiesis and granulocyte function. Pediatric Hematology, 2006.
