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Ensaios pré-clínicos e clínicos

Olá pessoal, tudo bem com vocês??

E hoje vamos, nos familiarizar com o uso de animais em experimentos científicos. Para isso precisamos compreender o funcionamento das etapas experimentais, como fase pré-clínica e clínica em um contexto geral.

Vocês já devem ter visto em filmes científicos os animais sendo utilizados para pesquisas. E para os cientistas, experiências em animais são fundamentais para a expansão do conhecimento e importantes para novas descobertas na ciência.

Vamos aprender mais?

Ensaios clínicos

Os ensaios clínicos são realizados para testar e avaliar a segurança e eficácia de um medicamento ou melhor, um produto novo no mercado. E com o auxílio desses ensaios podem avaliar o efeito terapêutico (fármacos) ou profiláticos (vacinas) [1].

Para que tudo isso ocorra, há um protocolo e uma documentação clínica dos estudos experimentais que devem ser seguidas, são recomendações dos órgãos normativos do país, assim para que os resultados possam ser considerados válidos levando a aprovação do produto esperado[1].

Mas para que esse novo produto seja lançado no mercado é necessário antes conhecer seus aspectos químicos, farmacológicos, mecanismos de ação e toxicidade em provas pré-clínicas, in vitro ou em modelos experimentais, ou seja em animais quando disponíveis. E assim depois ser levado a uma experimentação em seres humanos[1].

Mas qual é o objetivo de um ensaio clínico? 

Para o pesquisador, o objetivo principal é definir delinear uma investigação através do tamanho da amostra, monitoramento os procedimentos e pôr fim a interpretação final dos resultados esperados para o estudo[1].

Mas como?

Primeiro especificando o tipo de estudo, o produto que será trabalhado, a dose, forma de administração, tipo de paciente a que se destina, efeito esperado, parâmetros a serem medidos (toxicidade, alteração de provas bioquímicas, resposta imunológica, efeito terapêutico ou preventivo e etc) [1].

E para que servem mesmo esses ensaios clínicos?

– Investigar novos procedimentos clínicos;

– Investigar novos medicamentos;

– Avaliar a segurança de um novo fármaco;

– Avaliar benefícios de um novo tratamento;

– Comparar fármacos.

Fases experimentais

Existe um caminho para a pesquisa, que é dividido em ensaios clínicos chamados: pré-clínica e a clínica. E entre eles há subdivisões de acordo com seu nível de complexidade, estágio de desenvolvimento do medicamento a ser testado e objetivo da avaliação. Mas para esse novo medicamento chegar à população não é tão fácil assim…

Vamos lá?  Primeiro observe e analise a ilustração logo abaixo:

Figura 1: Representação do processo de desenvolvimento de um produto através do estudo das propriedades e dos ensaios de pré-clínicos e clínicos (in vitro e em animais).

Testes não clínicos: Realizados em animais, meio de cultivo e in vitro são testes de laboratório. Constitui a primeira etapa de avaliação de um produto sendo ele químico ou biológico em seres humanos. E pode-se observar que são realizados em modelos experimentais em animais com um significativo propósito de avaliar a toxicidade, segurança e eficácia do produto [1,2,3].

Após todos os parâmetros de acordo com a segurança e efetividade do fármaco proposto, pode-se seguir para fase clínica, a qual é subdividida em fases que estão descritas abaixo.

Figura 2: Representação das fases clínicas para o desenvolvimento de um produto.

Fase 1: Realizada geralmente em pequenos grupos sadios, com o objetivo principal de avaliar primeiramente a segurança do produto em estudo, como a dosagem e efeitos colaterais [1,2,3].

Fase 2: Realizada em um número amostral maior, avalia a dose de eficácia e mais informações sobre a segurança do produto, a exemplo reações adversas [1,2,3].

Fase 3: Realizada em um grupo amplo da amostra de pesquisa, confirma os dados da segurança e eficácia obtidos na Fase 2, a uma relação do risco/benefício [1,2,3].

Experimentos

Figura 3: Representação das etapas de uma pesquisa estudos pré-clínicos (in vitro e em animais).

In vitro: Realizado em ensaios fora de um organismo vivo e envolve especificamente células, tecidos ou órgãos isolados[4].

In vivo: Realizado a partir de ensaios em organismos vivos[4].

Experimentação animal

Os animais que mais são utilizados em pesquisas são roedores, como ratos e camundongos. Pois há uma facilidade no manejo por possuir um tamanho pequeno e ter uma fácil reprodução[5]. E por isso, eles necessitam ser mantidos nas melhores condições de saúde e higiene possível. Caso contrário, não poderão ser utilizados para pesquisas cientificas, pois existe legislação de bem-estar animal a ser respeitada, isso mostrada logo abaixo:

Vejamos o Guia Brasileiro de Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou Pesquisa Científica (Guia), pois ele contempla uma das competências do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) [6,7].

E também o Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (COBEA), que tem como objetivo defender o bem estar animal e seu uso racional, capacitar profissionais e lutar por uma legislação específica. E atualmente chamada de Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório, mantendo em sua sigla SBCAL/COBEA[6,7].

Modelos experimentais em pesquisa

Tratando-se de modelos experimentais, torna-se relevante mostrar o conceito de doença animal, que é aquela que possui seus mecanismos patológicos parecidos àqueles de uma doença humana, dessa forma atuando assim como modelo [8];

Classificação dos animais utilizados em experimentação quanto:

  • Status sanitário ou ecológico;
  • Genotípica;
  • Como modelo experimental.

Status sanitário ou ecológico

Resulta no estudo da relação dos animais com sua específica biota. Esses animais experimentais são distribuídos em comum ou convencional, com biota indefinida e ao acaso para a espécie, ou em definidos ou ainda gnotobióticos que quer dizer, gnoto = conhecer e biota = vida[8].

Subdistribuem-se em:

Axênicos (germfree) quer dizer animais com flora definida, pela contaminação da ração com microrganismos[8].

Possui uma classificação dos animais da microbiota definida de acordo com o número de espécies conhecidas que o habita, chamados de:

Monoxênicos, dixênicos, e assim sucessivamente, até serem polixênicos [8].

Tem também os heteroxênicos, que são diferenciados através da espécie que vive fora da sua biota, como os Animais Livres de Germes Patogênicos Específicos, em inglês chamado como Specific Pathogen Free (SPF). E ainda assim, esses animais heteroxênicos podem ser distribuídos pela ausência sorológica de uma carga antigênica específica, como a exemplo os animais VAF (Virus Antibody Free) [8].

Status genotípico

Animais heterogênicos (não-consanguíneos, heterocruzados, heterogâmicos, outbred)

São animais obtidos mediante cruzamentos ao acaso. São eles que fazem parte da maioria das pesquisas laboratoriais, como destacando os camundongos (Mus musculus, Swiss Webster), ratos (Rattus norvegicus – Wistar) e hamsters (Mesocricetus auratus) [8].

Animais isogênicos (consanguíneos, endocruzados, isogâmicos, inbred)

São animais que conseguem suportar cruzamentos totalmente consanguíneos, permitindo acasalamentos entre irmãos por várias gerações[8].

Animais híbridos

São linhagens de animais híbridos que resultam do cruzamento entre linhagens de animais isogênicos (inbred) [8].

Animais recombinantes consanguíneos (isogênicos recombinantes, recombinantes inbred).

São animais chamados isogênicos recombinantes aqueles que resulta de um cruzamento aleatório, ou seja, entre animais híbridos, isso durante 20 gerações consecutivas[8].

Animais transgênicos

São animais que adquiriram, de forma estável, diversas informações genéticas de seus genitores. Isso acontece através de uma micropipeta que realiza a inserção de um fragmento de DNA linear clonado, no interior de um dos pronúcleos da célula[8].

Animais mutantes

São animais que sofrem mutações ao acaso ou provocadas em laboratório, capazes de permitir o desenvolvimento de patologias[8].

Status como modelo experimental

Modelo induzido

Trata-se de um modelo experimental no qual o animal é submetido a um procedimento capaz de provocar uma morbidade, com a finalidade de se realizar um procedimento experimental[8]. 

Modelo negativo

Quase o oposto das situações espontâneas e induzidas são os modelos negativos, nos quais uma doença específica não se desenvolve[8]. 

Modelo órfão

Trata-se de um tipo de modelo experimental relativamente raro. Exemplo seria a encefalopatia espongiforme bovina (“doença da vaca louca”) [8].

Conclusão

Hoje aprendemos um pouco mais sobre os ensaios clínicos e com foco nos ensaios pré-clínicos abordando sobre o uso de animais, focando nos cuidados com eles devido ao conhecimento incipiente do manejo. Compreendemos também que existem diversos modelos deles em experimentais de pesquisa. E essa é apenas uma primeira parte de tudo ainda que iremos abordar sobre esse tema 🙂

Incrível ver como esses ensaios são úteis para a saúde da humanidade e desvendou diversos caminhos para inúmeras novas pesquisas e aplicações na população.

Legal, ne?

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Até a próxima!

Referências

  1. Ensaio. Modulo5-Ensaioclinico. Disponível em: <https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/59/o/Modulo5-Ensaioclinico.pdf> . Acesso em: 08 de janeiro de 2021.
  2. Pesquisa clínica. Einstein. Disponívelem: <https://www.einstein.br/pesquisa/pesquisa-clinica/o-que-e>. Acesso em: 08 de janeiro de 2021.
  3. Adami, Eliana Rezende, Márcia Regina Chizini Chemin, and Beatriz Helena Sottile França. “Aspectos éticos e bioéticos da pesquisa clínica no Brasil.” Estudos de Biologia 36 (2014).
  4. Métodos in vitro. Uma agência da União Europeia. Disponível em: https://echa.europa.eu/pt/support/registration/how-to-avoid-unnecessary-testing-on-animals/in-vitro-methods. Acesso em: 08 de janeiro de 2021.
  5. Stefanelli, Lúcia Cristiane Juliato. “Experimentação animal: considerações éticas, científicas e jurídicas.” Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde 15.1 (2011): 187-206.
  6. PONTES, M., & COSTA, R. M. E. Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal.
  7. Ko, Gui Mi, et al. “SBCAL/COBEA: 30 anos na defesa dos animais de laboratório.” (2013).
  8. Ferreira, Lydia Masako, Bernardo Hochman, and Marcus Vinícius Jardini Barbosa. “Modelos experimentais em pesquisa.” Acta Cirurgica Brasileira 20 (2005): 28-34.

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